sexta-feira, 28 de dezembro de 2018
segunda-feira, 3 de dezembro de 2007
O "conhecido desconhecido"
A quarta grande unidade temática do livro Inteligência arranca do que Lonergan designa como o ‘conhecido desconhecido’. Se Descartes pediu à filosofia um método rigoroso, Hegel exigiu-lhe que explicasse não só a posição própria como a existência de posições contrárias. O elemento a priori da análise cognitiva deve ser completado pelo elemento a posteriori dos dados históricos. Como as questões são em número superior às respostas encontradas, “sabemos que não sabemos”. Como a mente humana tem facetas emotivas, o desconhecido aparecerá estranho e misterioso em oposição ao familiar e previsível. É o domínio do mistério e do mito de que se ocupam a história da cultura e a religião.[1]
O problema da interpretação reside em compreender, de modo objectivo, a significação das palavras, e acções, em qualquer tempo e lugar, e como sendo uma expressão das fases da evolução do conhecimento humano de si e do mundo. O objectivo de qualquer interpretação é comunicar o acto de consciência principal do dado interpretado. Ora isso depende do autor, do intérprete e da audiência e exige uma interpretação reflexiva. A interpretação reflexiva atende ao contexto mas tem de contar com que as audiências variam com a cultura e o desenvolvimento intelectual. Existe um sentido histórico como existe um sentido comum para o nosso tempo e espaço. Mas o sentido ou experiência histórica também é susceptível de adulterações. Por isso, é preciso um método para conceber o desenvolvimento das audiências e uma técnica de expressão que escape à relatividade.
[1] Insight, p.554-571
O problema da interpretação reside em compreender, de modo objectivo, a significação das palavras, e acções, em qualquer tempo e lugar, e como sendo uma expressão das fases da evolução do conhecimento humano de si e do mundo. O objectivo de qualquer interpretação é comunicar o acto de consciência principal do dado interpretado. Ora isso depende do autor, do intérprete e da audiência e exige uma interpretação reflexiva. A interpretação reflexiva atende ao contexto mas tem de contar com que as audiências variam com a cultura e o desenvolvimento intelectual. Existe um sentido histórico como existe um sentido comum para o nosso tempo e espaço. Mas o sentido ou experiência histórica também é susceptível de adulterações. Por isso, é preciso um método para conceber o desenvolvimento das audiências e uma técnica de expressão que escape à relatividade.
[1] Insight, p.554-571
sexta-feira, 30 de novembro de 2007
Eternamente me interrogarei!
Talvez sou do tipo que mais se interroga da sua própria razão de existir. De facto nada me impede de tal acto ou hábito. Sei que, na verdade, existe muita coisa ainda por aprender, e no peito pesa-me o mundo todo. Sinto nas costas o peso dos oceanos ao saber que todo o saber humano é passageiro, e por vezes me interrogo: Porque será que a ciência não é perfeita? E, lá do fundo, surge-me outra interrogação: Porque será que existem tantos termos para designar o Criador do Universo? Porque será que o homem não é perfeito aos olhos Desse Criador? Muitos divergem nas opiniões quanto ao conhecimento do Criador, outros divergem na perspectiva de olhar a condição humana de pecado,portanto, causada pela imperfeição do ser humano em si. Outros afirmam e lutam para alcançar a perfeição. Ora, vejamos, se o Criador é Todo-Omniponte, Sumamente Omnisciente, não será que tenha querido criar o homem na sua imperfeição? Porquê será que nos preocupamos tanto a procura da perfeição em vez da excelência?
Ora, se cada homem pensasse que seria capaz de alcaçar a perfeição aos olhos dos homens, de certeza que não-o seria aos olhos de Deus! E, se for o caso, não será que esta é a forma perfeita que Deus achou alguma vez atribuir aos seres criados por Si?
Não pretendo aqui pregar alguma heresia, nem jamais blasfémia, e muito menos uma nova ceita, apenas quero deixar a todos um desejo de ver as coisas de maneira positiva, sem nunca cair na teologia positiva.
Daqui surgem no fundo, questões como a não comunhão das religiões do mundo, pois cada uma quer afirmar-se melhor em deterimento da outra, agindo como aquela que mais de perfeito tem a imagem de Deus, como se as outars fossem meras assembleias de esquizofrénicos. No fundo disto venho colocar a possibilidade de cada um olhar o passado termo religião, no sentido de perceber como elas surgiram, não tendo uma visão polarizada ou dicotomizada, mas o sentido inicial do termo religião aparece como resposta à aquele ser humano que nos seus primórdios foi semnpre um ser com necessidade do espiritual (a busca do transcendente).E daí tirar partido não das suas concepções, mas daquilo que é a verdade, esta verdade que guia num bom sentido, e verá que nunca mais pegará em arma alguma para combater seja lá a quem for. Pois o transcendente requer não o desejo de vingança, o desejo de reconciliação e de amizade entre os homens.
Por enquanto termino por aqui o meu pensamento, ainda que confuso, mas acho que dá para despertar alguma coisa da nossa consciência.
Etiquetas:
Filosofia da Consciencia,
Leibniz.
segunda-feira, 8 de outubro de 2007
Fé e Insight
Gostaria de assinalar como ultimamente, nomeadamente no seminário que estou a fazer este semestre com o professor Domingos Terra se tem falado de como a fé passa também por este click, ou seja, pelo insight. Foi pelo Insight de Cristo como o Ressuscitado que todos os apóstolos tiveram que passar. Por exemplo, São Tomé, na famosa passagem em que pede para ver, para depois crer, faz a sua confissão de fé (Meu senhor e meu Deus) depois de ver que todos os dados da realidade lhe apontavam para que Cristo tinha ressuscitado. no entanto, sem este Insight, tomé poderia ter ficado pelo facto de Cristo não ter, por exemplo, sequer chegado a morrer. o mesmo se passa com os milagres, em que nem todos os que presenciavam os mesmos factos (as curas, por exemplo) terem visto a Jesus como o messias. Para que o ser humano possa alcnçar este insight na sua plenitude é sempre necessário uma conversão. Para Lonergan, esta conversão é sempre tripla, a saber: intelectual, moral e religiosa.
segunda-feira, 20 de agosto de 2007
A perspectiva universal
Do Epílogo de Inteligência,de Bernard Lonergan
Finalmente, embora exista uma metafísica latente comum a todas as mentes, também é comum uma interferência variável com o funcionamento apropriado do desejo puro de conhecer e, consequentemente, também é comum uma distorção da metafísica latente. A philosophia perennis está ladeada por contrafilosofias mais menos perenes. Tal como o desejo imparcial, desinteressado e irrestrito de conhecer é uma constante, também o são os princípios que interferem com o seu desdobramento. Por muito que as posições e as contraposições estejam em choque, uma análise dialéctica baseada numa teoria cognitiva suficientemente exacta pode conduzir a uma perspectiva universal que abranja simultaneamente (1) as posições na fase actual do seu desenvolvimento, (2) as posições em cada fase prévia do seu desenvolvimento, e (3) sucessivas contraposições do passado e do presente com as respectivas incoerências essenciais e a reivindicação que devem ser captadas de modo inteligente e afirmadas razoavelmente.
Em resumo, os conceitos mudam na medida em que as coisas mudam, na medida em que a compreensão humana se desenvolve, e na medida em que esse desenvolvimento é formulado de modo coerente ou incoerente. Mas por detrás de cada mudança, há uma unidade subjacente, e essa unidade pode ser formulada explicitamente ao nível da antecipação heurística ou do método conscientemente adoptado ou de uma metafísica dialéctica. Segue-se que as mudanças na conceitualização não implicam qualquer multiplicidade derradeira e que, por detrás da variação conceptual, existe uma constante conceptual que pode ser formulada numa perspectiva universal.
Finalmente, enquanto a noção da perspectiva universal foi trabalhada ao nível de uma metafísica dialéctica do ser proporcional, deve-se ter presente que recebe determinações adicionais nos nossos capítulos finais sobre o conhecimento transcendente. O conhecimento geral transcendente refere-se à condição final da possibilidade das posições, e o conhecimento transcendente especial refere-se à condição de facto da possibilidade de fidelidade humana às posições.
Finalmente, embora exista uma metafísica latente comum a todas as mentes, também é comum uma interferência variável com o funcionamento apropriado do desejo puro de conhecer e, consequentemente, também é comum uma distorção da metafísica latente. A philosophia perennis está ladeada por contrafilosofias mais menos perenes. Tal como o desejo imparcial, desinteressado e irrestrito de conhecer é uma constante, também o são os princípios que interferem com o seu desdobramento. Por muito que as posições e as contraposições estejam em choque, uma análise dialéctica baseada numa teoria cognitiva suficientemente exacta pode conduzir a uma perspectiva universal que abranja simultaneamente (1) as posições na fase actual do seu desenvolvimento, (2) as posições em cada fase prévia do seu desenvolvimento, e (3) sucessivas contraposições do passado e do presente com as respectivas incoerências essenciais e a reivindicação que devem ser captadas de modo inteligente e afirmadas razoavelmente.
Em resumo, os conceitos mudam na medida em que as coisas mudam, na medida em que a compreensão humana se desenvolve, e na medida em que esse desenvolvimento é formulado de modo coerente ou incoerente. Mas por detrás de cada mudança, há uma unidade subjacente, e essa unidade pode ser formulada explicitamente ao nível da antecipação heurística ou do método conscientemente adoptado ou de uma metafísica dialéctica. Segue-se que as mudanças na conceitualização não implicam qualquer multiplicidade derradeira e que, por detrás da variação conceptual, existe uma constante conceptual que pode ser formulada numa perspectiva universal.
Finalmente, enquanto a noção da perspectiva universal foi trabalhada ao nível de uma metafísica dialéctica do ser proporcional, deve-se ter presente que recebe determinações adicionais nos nossos capítulos finais sobre o conhecimento transcendente. O conhecimento geral transcendente refere-se à condição final da possibilidade das posições, e o conhecimento transcendente especial refere-se à condição de facto da possibilidade de fidelidade humana às posições.
terça-feira, 24 de julho de 2007
Milagres, factos históricos?
Em primeiro lugar gostaria depedir perdão por não ter tido nehuma contribuição ultimamente, mas não tenho tido acesso à internet.
Tal não significa que o meu estudo de Lonergan tenha parado, tendo agora começado a leitura de outra obra do autor, que faz um pouco a ponte entre a filsofia da consciência presente em Insight e a Teologia, que é, queiramos ou não, o ponto fundamental do nosso curso. Falo obviamente de Method in Theology, onde Lonergan aplica os preceitos transcendentais da consicência, a saber, sê atento, sê inteligente, sê razoável, sê responsável, para estabelecer um método, designado também ele de transcendental. De seguida concretiza este método transcendental nas várias disciplinas, ou especialidades funcionais (functional specialities) da teologia.
O breve apontamento que gostaria de deixar hoje prende-se com o estudo dos milagres como facto histórico. Para o autor canadiano, a história não pode ser feita sem levar em linha de conta os próprios historiadores. É um mito falar da história como simples apresentação de factos que falam por si mesmos, sem levar em linha de conta que esses factos são selecionados por um historiador dentro dos que estão disponíveis, ou seja, dos que constituem a totalidade da História (entendida como a vivência concreta de cada um dos seres humanos em todos os lugares e instantes temporais).
Posto isto, para um historiador dar um facto como credível, o único instrumento de julgamento que ele tem à mão é a sua própria consciência. Se o historiador não for crente, então os milagres não passam de uma alucinação colectiva, pois é para ele mais fácil admitir que todas as pessoas que testemunharam, por exemplo, o milagre de Fátima, estavam de algum modo "alteradas" (self-deceived), do que admitir a possibilidade da existência de milagres. Tal mudança de atitude requeriria por parte do historiador uma conversão radical que ultrapassa em larga medida o exercício da sua actividade.
Tal não significa que o meu estudo de Lonergan tenha parado, tendo agora começado a leitura de outra obra do autor, que faz um pouco a ponte entre a filsofia da consciência presente em Insight e a Teologia, que é, queiramos ou não, o ponto fundamental do nosso curso. Falo obviamente de Method in Theology, onde Lonergan aplica os preceitos transcendentais da consicência, a saber, sê atento, sê inteligente, sê razoável, sê responsável, para estabelecer um método, designado também ele de transcendental. De seguida concretiza este método transcendental nas várias disciplinas, ou especialidades funcionais (functional specialities) da teologia.
O breve apontamento que gostaria de deixar hoje prende-se com o estudo dos milagres como facto histórico. Para o autor canadiano, a história não pode ser feita sem levar em linha de conta os próprios historiadores. É um mito falar da história como simples apresentação de factos que falam por si mesmos, sem levar em linha de conta que esses factos são selecionados por um historiador dentro dos que estão disponíveis, ou seja, dos que constituem a totalidade da História (entendida como a vivência concreta de cada um dos seres humanos em todos os lugares e instantes temporais).
Posto isto, para um historiador dar um facto como credível, o único instrumento de julgamento que ele tem à mão é a sua própria consciência. Se o historiador não for crente, então os milagres não passam de uma alucinação colectiva, pois é para ele mais fácil admitir que todas as pessoas que testemunharam, por exemplo, o milagre de Fátima, estavam de algum modo "alteradas" (self-deceived), do que admitir a possibilidade da existência de milagres. Tal mudança de atitude requeriria por parte do historiador uma conversão radical que ultrapassa em larga medida o exercício da sua actividade.
segunda-feira, 23 de julho de 2007
Portugal de ontem ou de hoje?
«Só um grande povo, com grandes ideais,
Coloca no céu o limite das suas aspirações.
O desejo de descobrir, de conhecer é tipicamente português.
O Português tem o céu no coração
As mãos criadoras na terra
Enchendo-a com o suor do seu trabalho
E tem os olhos no mar
No qual, um dia pensou poder conquistar o céu.
Por ele lutou,
mostrando que ser português
É ser um guerreiro sonhador em busca do limite
Que quer conquistar,
Para o fazer seu e de quantos por ele lutaram.»
terça-feira, 10 de julho de 2007
Extrato Do Trabalho sobre a possibilidade da Ética
A POSSIBILIDADE DA ÉTICA SEGUNDO BERNARD LONERGAN
No presente trabalho iremos falar da possibilidade da ética segundo Bernard Lonergan. Sendo assim, seguiremos o seguinte esquema: A Noção De Bem, A Noção De Liberdade e O Problema Da Libertação. No capítulo sobre a Noção do bem iremos falar dos níveis de bem, a noção da vontade, a noção de vontade, a noção de valor, o método da ética e a ontologia do bem. Em relação a noção de Liberdade falaremos do significado dos resíduos estatísticos, o fluxo sensitivo subjacente, a intelecção prática, a reflexão prática, a decisão e a liberdade. E , no que respeita ao problema da Libertação, falaremos da liberdade essencial e efectiva, as condições da liberdade efectiva, as possíveis condições da sátira e do humor, a importância moral e o problema da libertação.
No sentido geral, ética, é uma disciplina filosófica que procura determinar a finalidade da vida humana e os meios de a alcançar, preconizando juízos de valor que permitem distinguir entre o bem e o mal. Por outro lado, entende-se por ética aos princípios morais por que um indivíduo rege a sua conduta pessoal ou profissional. Também designa-se por ética ao código deontológico, a moral e como sendo a ciência da moral. O termo provém do grego: ethiké [ o equivalente a epistéme], com o significado de ciência relativa aos costumes, e do latim ethica, no mesmo sentido grego.
1. A NOÇÃO DE BEM
No sentido geral, o conceito de bem designa tudo aquilo que é conveniente, de modo agradável e que é socialmente irrepreensível. Designa tudo o que é justo, lícito, aquilo que é valioso segundo a moral. Também designa posses, aquilo que é útil para um determinado fim. Em Kant, o bem é a união da felicidade e da virtude; assim o bem absoluto é a boa vontade.
Segundo Bernard Lonergan, o ser é inteligente e uno, e por isso mesmo é também bom. Mas enquanto a inteligibilidade e a unidade do ser resultam, espontaneamente, de que o ser é tudo o que se capta inteligivelmente e se afirma razoavelmente, a bondade do ser apenas se esclarece ao considerar-se a extensão da actividade intelectual que denominamos a deliberação e decisão, a escolha, e vontade.
1.1 Níveis de Bem
Numa primeira fase, o bem surge como objecto do desejo; ao alcançar-se, experimenta-se como prazer, alegria, satisfação. Mas o homem experimenta tanto a aversão como o desejo, a dor e o prazer; nesta fase primária e empírica o bem está em união com o seu oposto, o mal.
O desejo de saber torna-se o único dos desejos humanos que é desprendido, desinteressado e irreprimível, possui a sua satisfação. O desejo de saber vai além do prazer na própria intelecção para a subsequente questão de saber se a própria intelecção está correcta. Através deste desejo e do conhecimento que gera, emerge um segundo sentido de bem. Para além do bem que é puro objecto de desejo, há um bem de ordem. Tal é a comunidade política, a economia, a família como instituição.
O bem de ordem é dinâmico, não apenas no sentido de ordenar a revelação dinâmica de desejos e aversões, mas também no sentido em que é sistema em movimento. Possui a sua própria linha normativa de desenvolvimento, na medida em que os elementos da ideia de ordem são captados pela intelecção em situações concretas, são formulados em proposições, são aceites por concordância explicitas ou tácitas, e são executados apenas para alterar a situação e para originar novas intelecções.
O desenvolvimento social seria uma simples questão de desenvolvimento intelectual, caso a psykhé humana para ela não contribuísse; mas a natureza sensível do homem constitui os materiais dinâmicos a ordenar, e as condições subjectivas sob as quais a ordem é descoberta, comunicada, aceite e executada. É assim que a ordem social descobre nos desejos e aversões dos indivíduos e na intersubjectividade dos grupos um enormíssimo e poderoso aliado e uma permanente fonte de egoísmo e desvio de classe. O desvio não só constitui uma mudança na via principal de desenvolvimento como também origina as vias secundárias nas quais a humanidade se empenha em elaborar movimentos, a fim de se proteger contra os efeitos dos desvios anteriores, para corrigir os opositores e, no caso ideal, para atacar o desvio na raiz. Todavia, a preocupação com esta ideia implica uma transposição desta questão ao nível das polícias e dos tribunais, da diplomacia e da guerra, para o nível da cultura e da moralidade. Numa perspectiva de longo prazo, o senso comum não está `a altura deste desafio, visto que, além das aberrações individuais e grupais, está sujeito a um desvio geral contra as grandes preocupações e as últimas consequências.
Isto traz-nos ao terceiro aspecto do bem, que é o valor. O bem da ordem liga-se também a deliberação e escolha, além das numerosas manifestações de aversões e desejos. Assim, segundo Bernard Lonergan, individualismo e socialismo não são nem comida nem bebida, nem roupas nem abrigo, nem saúde nem riqueza. São construções da inteligência humana, sistemas para ordenar a satisfação dos desejos humanos. A humanidade pode optar por um sistema e rejeitar outros. Nisso, manifesta-se a inteligência humana não apenas como teórica mas também como prática, que está sempre à procura de discernir as possibilidades que revelam as coisas tal como possam ser. Porém, essas possibilidades são múltiplas. Deste modo, a capacidade inventiva da inteligência prática assegura resultados práticos apenas se houver a conjugação de potência, forma e acto de vontade, boa vontade e desejo, com função de seleccionar possibilidades de entre várias e, através dessa decisão e escolha, iniciar e fundamentar a transição de concepção intelectual de uma ordem possível para a realização concreta.
1.2 A Noção de Vontade
Em relação a noção de vontade, Bernard Lonergan diz que é o apetite intelectual ou espiritual: «will, then, is intellectual or spiritual appetite»
1.3 A Noção de Valor
1.4 O Método da Ética
1.5 A Ontologia do Bem
2. A NOÇÃO DE LIBERDADE
2.1 O Significado dos Resíduos Estatísticos
2.2 O Fluxo Sensitivo Subjacente
2.3 A Intelecção Prática
2.4 A Reflexão Prática
2.5 A Decisão
2.6 Liberdade
3. O PROBLEMA DA LIBERTAÇÃO
3.1 A Liberdade Essencial e Efectiva
3.2 As Condições da Liberdade Efectiva
3.3 As Possíveis Funções da Sátira e do Humor
3.4 Importância Moral
3.5 O Problema da Libertação
No presente trabalho iremos falar da possibilidade da ética segundo Bernard Lonergan. Sendo assim, seguiremos o seguinte esquema: A Noção De Bem, A Noção De Liberdade e O Problema Da Libertação. No capítulo sobre a Noção do bem iremos falar dos níveis de bem, a noção da vontade, a noção de vontade, a noção de valor, o método da ética e a ontologia do bem. Em relação a noção de Liberdade falaremos do significado dos resíduos estatísticos, o fluxo sensitivo subjacente, a intelecção prática, a reflexão prática, a decisão e a liberdade. E , no que respeita ao problema da Libertação, falaremos da liberdade essencial e efectiva, as condições da liberdade efectiva, as possíveis condições da sátira e do humor, a importância moral e o problema da libertação.
No sentido geral, ética, é uma disciplina filosófica que procura determinar a finalidade da vida humana e os meios de a alcançar, preconizando juízos de valor que permitem distinguir entre o bem e o mal. Por outro lado, entende-se por ética aos princípios morais por que um indivíduo rege a sua conduta pessoal ou profissional. Também designa-se por ética ao código deontológico, a moral e como sendo a ciência da moral. O termo provém do grego: ethiké [ o equivalente a epistéme], com o significado de ciência relativa aos costumes, e do latim ethica, no mesmo sentido grego.
1. A NOÇÃO DE BEM
No sentido geral, o conceito de bem designa tudo aquilo que é conveniente, de modo agradável e que é socialmente irrepreensível. Designa tudo o que é justo, lícito, aquilo que é valioso segundo a moral. Também designa posses, aquilo que é útil para um determinado fim. Em Kant, o bem é a união da felicidade e da virtude; assim o bem absoluto é a boa vontade.
Segundo Bernard Lonergan, o ser é inteligente e uno, e por isso mesmo é também bom. Mas enquanto a inteligibilidade e a unidade do ser resultam, espontaneamente, de que o ser é tudo o que se capta inteligivelmente e se afirma razoavelmente, a bondade do ser apenas se esclarece ao considerar-se a extensão da actividade intelectual que denominamos a deliberação e decisão, a escolha, e vontade.
1.1 Níveis de Bem
Numa primeira fase, o bem surge como objecto do desejo; ao alcançar-se, experimenta-se como prazer, alegria, satisfação. Mas o homem experimenta tanto a aversão como o desejo, a dor e o prazer; nesta fase primária e empírica o bem está em união com o seu oposto, o mal.
O desejo de saber torna-se o único dos desejos humanos que é desprendido, desinteressado e irreprimível, possui a sua satisfação. O desejo de saber vai além do prazer na própria intelecção para a subsequente questão de saber se a própria intelecção está correcta. Através deste desejo e do conhecimento que gera, emerge um segundo sentido de bem. Para além do bem que é puro objecto de desejo, há um bem de ordem. Tal é a comunidade política, a economia, a família como instituição.
O bem de ordem é dinâmico, não apenas no sentido de ordenar a revelação dinâmica de desejos e aversões, mas também no sentido em que é sistema em movimento. Possui a sua própria linha normativa de desenvolvimento, na medida em que os elementos da ideia de ordem são captados pela intelecção em situações concretas, são formulados em proposições, são aceites por concordância explicitas ou tácitas, e são executados apenas para alterar a situação e para originar novas intelecções.
O desenvolvimento social seria uma simples questão de desenvolvimento intelectual, caso a psykhé humana para ela não contribuísse; mas a natureza sensível do homem constitui os materiais dinâmicos a ordenar, e as condições subjectivas sob as quais a ordem é descoberta, comunicada, aceite e executada. É assim que a ordem social descobre nos desejos e aversões dos indivíduos e na intersubjectividade dos grupos um enormíssimo e poderoso aliado e uma permanente fonte de egoísmo e desvio de classe. O desvio não só constitui uma mudança na via principal de desenvolvimento como também origina as vias secundárias nas quais a humanidade se empenha em elaborar movimentos, a fim de se proteger contra os efeitos dos desvios anteriores, para corrigir os opositores e, no caso ideal, para atacar o desvio na raiz. Todavia, a preocupação com esta ideia implica uma transposição desta questão ao nível das polícias e dos tribunais, da diplomacia e da guerra, para o nível da cultura e da moralidade. Numa perspectiva de longo prazo, o senso comum não está `a altura deste desafio, visto que, além das aberrações individuais e grupais, está sujeito a um desvio geral contra as grandes preocupações e as últimas consequências.
Isto traz-nos ao terceiro aspecto do bem, que é o valor. O bem da ordem liga-se também a deliberação e escolha, além das numerosas manifestações de aversões e desejos. Assim, segundo Bernard Lonergan, individualismo e socialismo não são nem comida nem bebida, nem roupas nem abrigo, nem saúde nem riqueza. São construções da inteligência humana, sistemas para ordenar a satisfação dos desejos humanos. A humanidade pode optar por um sistema e rejeitar outros. Nisso, manifesta-se a inteligência humana não apenas como teórica mas também como prática, que está sempre à procura de discernir as possibilidades que revelam as coisas tal como possam ser. Porém, essas possibilidades são múltiplas. Deste modo, a capacidade inventiva da inteligência prática assegura resultados práticos apenas se houver a conjugação de potência, forma e acto de vontade, boa vontade e desejo, com função de seleccionar possibilidades de entre várias e, através dessa decisão e escolha, iniciar e fundamentar a transição de concepção intelectual de uma ordem possível para a realização concreta.
1.2 A Noção de Vontade
Em relação a noção de vontade, Bernard Lonergan diz que é o apetite intelectual ou espiritual: «will, then, is intellectual or spiritual appetite»
1.3 A Noção de Valor
1.4 O Método da Ética
1.5 A Ontologia do Bem
2. A NOÇÃO DE LIBERDADE
2.1 O Significado dos Resíduos Estatísticos
2.2 O Fluxo Sensitivo Subjacente
2.3 A Intelecção Prática
2.4 A Reflexão Prática
2.5 A Decisão
2.6 Liberdade
3. O PROBLEMA DA LIBERTAÇÃO
3.1 A Liberdade Essencial e Efectiva
3.2 As Condições da Liberdade Efectiva
3.3 As Possíveis Funções da Sátira e do Humor
3.4 Importância Moral
3.5 O Problema da Libertação
domingo, 8 de julho de 2007
A questão do "Darwinismo Social" [2ª parte]
Face a todos os problemas sociais do período pós revolução industrial, os apoiantes desta teoria consideravam os mais pobres como os menos adaptados, ou seja, os mais fracos, que não se souberam adaptar e os ricos como os mais fortes, adaptados. As implicações de tais concepções foram terríveis. A Eugenia, estudo dos agentes sob o controle social que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das futuras gerações seja física ou mentalmente, assim a definiu Francis Galton[1], um dos mentores da mesma, é o novo meio de selecção (agora, não natural) da espécie humana. O caso mais típico desta prática é durante o período Nazi, a exaltação da Raça Ariana e o extermínio das raças inferiores.
Esta teoria é hoje bastante condenada pela sociedade, em geral. Contudo, um fenómeno interessante e que, a meu ver, requer um profundo e sério estudo, é o ressurgir de grupos extremistas – anarquistas, fascistas, neo-nazistas, … – que voltam a defender estas práticas políticas, deploráveis para o Homem civilizado.Resta-nos perguntar sobre até que ponto esta concepção, da luta pela sobrevivência, da vitória dos fortes sobre os mais fracos, ainda não está presente, se bem que de forma camuflada, no sistema económico actual que, apregoando o progresso e a evolução da sociedade, faz aumentar a distância entre os poucos e muito ricos e ou muitos e muito pobres?
[1] Francis Galton (1822-1911), primo de Darwin, defendia que a criação de instituições públicas de bem-estar para os pobres, asilos e manicómios, para as pessoas com deficiências mentais, são instituições maléficas à sociedade, já que permitem que os seres humanos inferiores se reproduzam às vezes mais rápido que os seres humanos superiores.
Esta teoria é hoje bastante condenada pela sociedade, em geral. Contudo, um fenómeno interessante e que, a meu ver, requer um profundo e sério estudo, é o ressurgir de grupos extremistas – anarquistas, fascistas, neo-nazistas, … – que voltam a defender estas práticas políticas, deploráveis para o Homem civilizado.Resta-nos perguntar sobre até que ponto esta concepção, da luta pela sobrevivência, da vitória dos fortes sobre os mais fracos, ainda não está presente, se bem que de forma camuflada, no sistema económico actual que, apregoando o progresso e a evolução da sociedade, faz aumentar a distância entre os poucos e muito ricos e ou muitos e muito pobres?
[1] Francis Galton (1822-1911), primo de Darwin, defendia que a criação de instituições públicas de bem-estar para os pobres, asilos e manicómios, para as pessoas com deficiências mentais, são instituições maléficas à sociedade, já que permitem que os seres humanos inferiores se reproduzam às vezes mais rápido que os seres humanos superiores.
sexta-feira, 6 de julho de 2007
A questão do "Darwinismo Social" [1ª parte]
Depois que Darwin apresentou as suas teses a respeito do desenvolvimento natural do Homem e das sociedades, alguns grupos de cientistas e sociólogos levaram-nas muito “à letra” e, em certo sentido, de forma errónea. O termo “Darwinismo social”, divulgado em 1944 pelo historiador Richard Hofstadter (principalmente), traduziu-se numa tendência geral em analisar o ponto evolutivo das civilizações daquela época, relacionando o grau de desenvolvimento com a sua capacidade de adaptação, e, por conseguinte, a considerar a existência de sociedades fracas e sociedades fortes, sendo as primeiras subjugadas ao poder das outras. No fundo, é a conversão de uma teoria biológica numa doutrina social que assiste à sua aplicação no âmbito político.
As conclusões desta mentalidade e ideologia extremista constituíram um retrocesso em todo o processo que vinha sendo feito em vista à igualdade e liberdade dos povos, à sua própria auto determinação, e as suas consequências práticas foram dramáticas, uma mancha triste na História da humanidade.
Os defensores do “Darwinismo Social” consideravam o povo Europeu o topo actual do desenvolvimento e os povos africanos, muito concretamente, mais atrasados (com menos capacidades que se reflectem nas condições e meios que têm) e portanto sujeitos ao poder do povo mais forte. Aqui a exclusão racial adquire um “pseudo” fundamento científico, o colonialismo, apesar de já decadente, parece receber novo vigor ou justificação.
As conclusões desta mentalidade e ideologia extremista constituíram um retrocesso em todo o processo que vinha sendo feito em vista à igualdade e liberdade dos povos, à sua própria auto determinação, e as suas consequências práticas foram dramáticas, uma mancha triste na História da humanidade.
Os defensores do “Darwinismo Social” consideravam o povo Europeu o topo actual do desenvolvimento e os povos africanos, muito concretamente, mais atrasados (com menos capacidades que se reflectem nas condições e meios que têm) e portanto sujeitos ao poder do povo mais forte. Aqui a exclusão racial adquire um “pseudo” fundamento científico, o colonialismo, apesar de já decadente, parece receber novo vigor ou justificação.
Teremos ainda Portugal ?
"O título tem um tom provocatório, mas eu vou justificar. Não digo que esteja para breve o nosso fim de país independente e livre. Mas, pelo andar da carruagem, traduzido em factos e sintomas, a doença é grave e pode levar a uma morte evitável. Aliás, já por aí não falta gente a lamentar a restauração de 1640 e a dizer que é um erro teimarmos numa península ibérica dividida. De igual modo, falar-se de identidade nacional e de valores tradicionais faz rir intelectuais da última hora e políticos de ocasião. O espaço nacional parece tornar-se mais lugar de interesses, que de ideais e compromissos.Há notícias publicadas a que devemos prestar atenção. Por exemplo: um terço das empresas portuguesas já é pertença de estrangeiros; 60% dos casais do país têm apenas um filho; vão fechar mais cerca de mil escolas ou de mil e trezentas, como dizem outras fontes; nas provas de língua portuguesa dos alunos do básico, os erros de ortografia não contam; o ensino da história pouco interessa, porque o importante é olhar para a frente e não perder tempo com o passado; a natalidade continua a descer e, por este andar, depressa baterá no fundo; não há nem apoios nem estímulos do Estado para quem quer gerar novas vidas, mas não faltam para quem quiser matar vidas já geradas; a família consistente está de passagem e filhos e pais idosos já não são preocupação a ter em conta, porque mais interessa o sucesso profissional; normas e critérios para fazer novas leis têm de vir da Europa caduca, porque dela vem a luz; a emigração continua, porque a vida cá dentro para quem trabalha é cada vez mais difícil; os que estão fora negam-se a mandar divisas, por não acreditarem na segurança das mesmas; os investigadores mais jovens e de mérito reconhecido saem do país e não reentram, porque não vêem futuro aqui; a classe média vai desaparecer, dizem os técnicos da economia e da sociologia, uma vez que o inevitável é haver só ricos cada vez mais ricos e pobres cada vez mais pobres; os políticos ocupam-se e divertem-se com coisas de somenos; e já se diz, à boca cheia, que o tempo dos partidos passou, porque, devido às suas contradições, ninguém os toma a sério; a participação cívica do povo é cada vez mais reduzida e mais se manifesta em formas de protesto, porque os seus procuradores oficiais se arvoram, com frequência, em seus donos e donos do país e fazedores de verdades dúbias; programa-se um açaime dourado para os meios de comunicação social; isolam-se as pessoas corajosas e livres, entra-se numa linguagem duvidosa, surgem mais clubes de influência, antecipam-se medidas de satisfação e de benefício pessoal… Não é assim, porventura, que se acelera a morte do país, quer por asfixia consciente, quer por limitação de horizontes de vida?É verdade que muitos destes problemas e de outros existentes podem dispor de várias leituras a cruzar-se na sua apreciação e solução. Mais uma razão para não serem lidos e equacionados apenas por alguns iluminados, mas que se sujeitem ao diálogo das razões e dos sentimentos, porque tudo isto conta na sua apreciação e procura de resposta.
Há muitos cidadãos normais, famílias normais, jovens normais. Muita gente viva e não contaminada por este ambiente pouco favorável à esperança. Mas terão todos ainda força para resistir e contrariar um processo doentio, de que não se vê remédio nem controle?
Preocupa-me ver gente válida, mas desiludida, a cruzar os braços; povo simples a fechar a boca, quando se lhe dá por favor o que lhes pertence por justiça; jovens à deriva e alienados por interesses e emoções de momento, que lhes cortam as asas de um futuro desejável; o anedótico dos cafés e das tertúlias vazias, a sobrepor-se ao tempo da reflexão e da partilha, necessário e urgente, para salvar o essencial e romper caminhos novos indispensáveis. Se o difícil cede o lugar ao impossível e os braços caem, só ficam favorecidos aqueles a quem interessa um povo alienado ao qual basta pão e futebol…
Mas não é o compromisso de todos e a esperança activa que dão alma a um povo?"
Há muitos cidadãos normais, famílias normais, jovens normais. Muita gente viva e não contaminada por este ambiente pouco favorável à esperança. Mas terão todos ainda força para resistir e contrariar um processo doentio, de que não se vê remédio nem controle?
Preocupa-me ver gente válida, mas desiludida, a cruzar os braços; povo simples a fechar a boca, quando se lhe dá por favor o que lhes pertence por justiça; jovens à deriva e alienados por interesses e emoções de momento, que lhes cortam as asas de um futuro desejável; o anedótico dos cafés e das tertúlias vazias, a sobrepor-se ao tempo da reflexão e da partilha, necessário e urgente, para salvar o essencial e romper caminhos novos indispensáveis. Se o difícil cede o lugar ao impossível e os braços caem, só ficam favorecidos aqueles a quem interessa um povo alienado ao qual basta pão e futebol…
Mas não é o compromisso de todos e a esperança activa que dão alma a um povo?"
D. António Marcelino, Bispo Emérito de Aveiro
quinta-feira, 5 de julho de 2007
[Extracto do trabalho]
Lonergan apresenta quanto às Ciências a probabilidade emergente; quanto à realidade e ao próprio homem a evolução; quanto ao conhecimento um processo que vai do não conhecido ao conhecido ou do não consciente ao consciente. Com muita novidade, Lonergan parte das concepções Aristotélicas de Potência – Forma – Acto; da nova noção de evolução (desenvolvimento) de Darwin; para tratar, em última análise, tudo aquilo que faz parte do conhecimento humano. Desde a Microfísica à Metafísica, desde a Ontologia e Antropologia Filosófica à Teologia Filosófica, desde a Gnoseologia à Psicologia, passando pela Moral, desde a Ciência à Filosofia, Lonergan pretende fazer uma reconciliação entre todos estes saberes presentes no Homem, tantas vezes separados ao longo dos séculos, e fá-lo através da Unidade existente no próprio Homem, sustentada pela noção de Desenvolvimento.
domingo, 24 de junho de 2007
Prof. Fred Lawrence and Sue Lawrence
2007 Lonergan Workshop
The ‘Not Numerous Center’: For Insight’s 50th Anniversaryand Method in Theology’s 35th Anniversary34nd Annual Lonergan WorkshopJune 17-22, 2007, Boston College
Classical culture cannot be jettisoned without being replaced; and what replaces it, cannot but run counter to classical expectations. There is bound to be formed a solid right that is determined to live in a world that no longer exists. There is bound to be formed a scattered left, captivated by now this, now that new development, exploring now this, now that new possibility. But what will count is a perhaps not numerous center, big enough to be at home in both the old and the new, painstaking enough to work out one by one the transitions to be made, strong enough to refuse half-measures and insist on complete solutions even though it has to wait. [B. Lonergan, "Dimensions of Meaning," Collection, Collected Works 4, 244-5]
2007 Lonergan Workshop
The ‘Not Numerous Center’: For Insight’s 50th Anniversaryand Method in Theology’s 35th Anniversary34nd Annual Lonergan WorkshopJune 17-22, 2007, Boston College
Classical culture cannot be jettisoned without being replaced; and what replaces it, cannot but run counter to classical expectations. There is bound to be formed a solid right that is determined to live in a world that no longer exists. There is bound to be formed a scattered left, captivated by now this, now that new development, exploring now this, now that new possibility. But what will count is a perhaps not numerous center, big enough to be at home in both the old and the new, painstaking enough to work out one by one the transitions to be made, strong enough to refuse half-measures and insist on complete solutions even though it has to wait. [B. Lonergan, "Dimensions of Meaning," Collection, Collected Works 4, 244-5]
sexta-feira, 15 de junho de 2007
A Possibilidade da Ética
Informo que ainda estou a fazer o trabalho sobre a possibilidade da ética segundo Bernard Lonergan, enquanto aguardo a resposta da diretoria e do Professor Doutor Mendo, já enviei o requerimento ontem ao director da Faculdade, mencionando os pormenores.
Bem Haja a todos os Livres Pensadores, discípulos encantados de Bernard Lonergan que, acima de tudo comoveu-me tanto, apesar de ter dado ao torno no final do semestre.
Edgar Paulo Cadir
Bem Haja a todos os Livres Pensadores, discípulos encantados de Bernard Lonergan que, acima de tudo comoveu-me tanto, apesar de ter dado ao torno no final do semestre.
Edgar Paulo Cadir
quinta-feira, 14 de junho de 2007
Inteligência: Um estudo do conhecimento humano, 1957
Nos anos seguintes a 1949, Lonergan ocupou-se com a redacção de Inteligência: Um estudo do conhecimento humano, publicado em 1957. O livro tem 875 páginas na edição definitiva, da Universidade de Toronto; são muitos os que confessam nunca o ter lido por inteiro e poucos o leram completamente. É, de facto, um tratado filosófico que pretende levar a cabo uma integração dos conhecimentos humanos, tal como se apresentavam em meados do séc. XX, com uma soma e complexidade que ultrapassava em muito as situações epistemológicas racionalizadas por Platão e Leibniz.[1] O escopo da obra é imenso: «A auto apropriação da nossa auto-consciência intelectual e racional começa como teoria cognitiva, expande-se para uma metafísica e uma ética, e avança para uma concepção e uma afirmação de Deus, para ser finalmente confrontada com o problema do mal que exige a transformação da inteligência auto-confiante no intellectus quaerens fidem.»[2]. Se de facto cumpriu estes objectivos, Inteligência tornou-se a mais importante obra de filosofia do séc. XX, como aqui procurarei indicar, apontando muito sucintamente as cinco principais temáticas da obra: a relação entre conhecimento e realidade, conhecimento científico e cosmologia, a acção humana e a ética, as questões de interpretação, a relação entre natureza de Deus e filosofia.
[1] O modelo que usa de formação da personalidade baseia-se em psicólogos de vanguarda como Erik Erikson e Abraham Maslow.
[2] Epílogo
[1] O modelo que usa de formação da personalidade baseia-se em psicólogos de vanguarda como Erik Erikson e Abraham Maslow.
[2] Epílogo
quarta-feira, 13 de junho de 2007
Extracto da "Nota introdutória" do meu trabalho
É neste Ser que deseja conhecer desinteressadamente, que conhece apaixonadamente e que anseia naturalmente por ser conhecido[1] que o desenvolvimento se dá de forma consciente[2]; é nesta realidade que flui, que se adapta e se adequada[3] que o desenvolvimento se dá de forma inconsciente[4], mas de forma igualmente estruturante. Tudo caminha rumo à perfeição do seu Ser, no Homem de forma consciente, na natureza de forma inconsciente.
Por tudo isto, o pensamento de Bernard Lonergan é tão fascinante: apesar da diversidade dos assuntos tratados, que, para o comum dos pensadores actuais, ainda são antagónicos, impossíveis de conciliar, Lonergan encontra uma Unidade que flui ao longo de todo o seu pensamento.
Mas afinal o que é Desenvolvimento?
Por tudo isto, o pensamento de Bernard Lonergan é tão fascinante: apesar da diversidade dos assuntos tratados, que, para o comum dos pensadores actuais, ainda são antagónicos, impossíveis de conciliar, Lonergan encontra uma Unidade que flui ao longo de todo o seu pensamento.
Mas afinal o que é Desenvolvimento?
[FALTA COMPLETAR AS CITAÇÕES]
terça-feira, 12 de junho de 2007
Darwin e a concepção de desenvolvimento. Extrato do meu trabalho
Charles Darwin (1809 – 1882), um dos expoentes máximos do Naturalismo, defendia que tudo o que existe é fruto de uma evolução a partir de um ancestral comum, que denominou de LUCA (Last Universal Common Ancestor), por meio de um processo de selecção natural e sexual. Ideias que ainda hoje sustentam e fundam a investigação e o conhecimento actual da Biologia.
A sua obra de referência, «On the Origin of Species by Means of Natural selection, or preservation of favoured races in the struggle for life», em português «A origem das espécies», publicada em 1859, em que Darwin sustenta as suas teses, como se perceberá, teve uma má recessão por parte da sociedade científica do seu tempo.O conceito de Evolução[1], para Darwin, não pode ser associado necessariamente ao de melhoria[2], é antes uma capacidade que os seres têm de se adaptarem face às condições do meio para não se extinguirem. Contudo, podemos afirmar que, segundo as circunstâncias, se se neutraliza a sua extinção, há uma melhoria pela conservação do Ser.
A sua obra de referência, «On the Origin of Species by Means of Natural selection, or preservation of favoured races in the struggle for life», em português «A origem das espécies», publicada em 1859, em que Darwin sustenta as suas teses, como se perceberá, teve uma má recessão por parte da sociedade científica do seu tempo.O conceito de Evolução[1], para Darwin, não pode ser associado necessariamente ao de melhoria[2], é antes uma capacidade que os seres têm de se adaptarem face às condições do meio para não se extinguirem. Contudo, podemos afirmar que, segundo as circunstâncias, se se neutraliza a sua extinção, há uma melhoria pela conservação do Ser.
[1] “Darwin preteria o termo evolução em favor do termo descendência com modificação, pois não se sentia à vontade com a noção de progresso ou com a ideia de estruturas orgânicas «superiores» e «inferiores», uma vez que cada organismo se adapta bem ao seu meio ambiente como o homem ao seu.” – Artigo Marx, Darwin e o progresso, p. 4. Aqui será utilizado com esse sentido.
[2] Visão diferente tinha Marx, ele “não dissociava evolução de processo, pelo menos em termos de domínio crescente na história humana sobre as forças naturais…”. Artigo Marx, Darwin e o progresso, p.2.
sexta-feira, 8 de junho de 2007
Universo computável????
Para recusarmos liminarmente a possibilidade de todo o Universo ser computável, e, por arrasto, Deus poder ser considerado como um GRAAANDE computador temos que recorrer ao trabalho de Gödel. Gödel foi um matemático e lógico do século XX cujo trabalho acaba por abordar os limites da computabilidade, pelo menos nos moldes actuais. De facto, existem programas de computador que são facimente concebidos pelo nosso pensamento mas que não são computáveis.
Um exemplo fácil (é o exemplo referido num primeiro ano de Eng. Informática) é que não é possivel computar um programa que diga se um outro vai entrar em ciclo infinito. Se acrescentarmos a isto o facto de eu poder pensar neste programa, logo a minha consciencia é capaz de o conceber, vemos que os limites da computabilidade são mais restritos do que por vezes se pensa. Na verdade, existe na consciencia algum elemento que não é computável!
Mais informações sobre os fundamentos desta pequena observação.
Um exemplo fácil (é o exemplo referido num primeiro ano de Eng. Informática) é que não é possivel computar um programa que diga se um outro vai entrar em ciclo infinito. Se acrescentarmos a isto o facto de eu poder pensar neste programa, logo a minha consciencia é capaz de o conceber, vemos que os limites da computabilidade são mais restritos do que por vezes se pensa. Na verdade, existe na consciencia algum elemento que não é computável!
Mais informações sobre os fundamentos desta pequena observação.
quarta-feira, 6 de junho de 2007
Inteligencia Artificial Forte
Qual é a solução para o famoso problema mente-corpo? Será que para ela temos que utilizar uma solução de índole cartesiana, ou as substancias espirituias, e tudo aquilo que não é materialista não passa de uma mera ilusão?
Uma das posições materialistas mais vezes considerada como válida é aquilo a que se pode chamar de Inteligencia Artificial Forte (Strong Artificial Inteligence ou Strong AI), que passa no fundo por postular que um computador, se elevado à perfeição em termos de complexidade da máquina humana, e, correndo o programa certo, possuiria actos normalmente classificamos de mentais, tais como dor, prazer, crenças, etc.
A meu ver, tal visão é incorrecta, até porque nega a base de todo o agir humano: o tal Insight que Bernard Lonergan refere. Existe algo mais que permite aos humanos poder ter actos de intelecção, e esse algo não tem que ser necessariamente computável.
Uma das posições materialistas mais vezes considerada como válida é aquilo a que se pode chamar de Inteligencia Artificial Forte (Strong Artificial Inteligence ou Strong AI), que passa no fundo por postular que um computador, se elevado à perfeição em termos de complexidade da máquina humana, e, correndo o programa certo, possuiria actos normalmente classificamos de mentais, tais como dor, prazer, crenças, etc.
A meu ver, tal visão é incorrecta, até porque nega a base de todo o agir humano: o tal Insight que Bernard Lonergan refere. Existe algo mais que permite aos humanos poder ter actos de intelecção, e esse algo não tem que ser necessariamente computável.
domingo, 3 de junho de 2007
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